Esta série documental de 8 episódios mergulha no Vale do Jequitinhonha, epicentro da emergência climática no país, com 18 das 20 cidades que registraram os maiores aumentos de temperatura, para revelar as complexas relações entre mudança climática, extrativismo mineral, conhecimentos tradicionais e soberania territorial comunitária. A linguagem não se confunde com a reportagem, nem com o manejo de dados frios sobre sobre a fervura térmica em comunidades que em extremo risco de crise humanitária iminente .
A narrativa move-se ao redor de uma ópera popular de rua, que cruza o território impactando sobre as comunidades que são, climaticamente, as mais vulneráveis do país e contra as quais recaiu, ao longo dos séculos , o bombardeio implacável do racismo ambiental através do "desenvolvimento" tais quais a monocultura de eucalipto, as obras para construção de grandes barragens, com a perenidade do extrativismo predatório da mineração que revirou solos e escasseou ainda mais, a água no semiárido mineiro. A ópera de rua é o instrumento de mobilização e soberania comunitária sobre o território, na gestão socioambiental das medidas urgentes de adaptação e resiliência.