YÉKIT
A ENCRUZILHADA DO FIM DO MUNDO
UMA ÓPERA POPULAR DE RUA CRUZA O EPICENTRO DA CRISE CLIMÁTICA NO BRASIL, O VALE DO JEQUITINHONHA, COM 18 DAS 20 CIDADES QUE MAIS AQUECERAM NO PAÍS, SUPERANDO EM MAIS DE 5º AS TEMPERATURA MÉDIAS E TRIPLICANDO AS MÁXIMAS PREVISTAS NO ACORDO DE PARIS.
Esta série documental de 8 episódios mergulha no Vale do Jequitinhonha, epicentro da emergência climática no país, com 18 das 20 cidades que registraram os maiores aumentos de temperatura, para revelar as complexas relações entre mudança climática, extrativismo mineral, conhecimentos tradicionais e soberania territorial comunitária. A linguagem não se confunde com a reportagem, nem com o manejo de dados frios sobre sobre a fervura térmica em comunidades que em extremo risco de crise humanitária iminente .

A narrativa move-se ao redor de uma ópera popular de rua, que cruza o território impactando sobre as comunidades que são, climaticamente, as mais vulneráveis do país e contra as quais recaiu, ao longo dos séculos , o bombardeio implacável do racismo ambiental através do "desenvolvimento" tais quais a monocultura de eucalipto, as obras para construção de grandes barragens, com a perenidade do extrativismo predatório da mineração que revirou solos e escasseou ainda mais, a água no semiárido mineiro. A ópera de rua é o instrumento de mobilização e soberania comunitária sobre o território, na gestão socioambiental das medidas urgentes de adaptação e resiliência.
ESTADO DE EMERGÊNCIA: O Alarme Climático Global e a Fervura Térmica do Jequitinhonha
O episódio inaugural apresenta o Vale do Jequitinhonha como epicentro da emergência climática no Brasil, revelando as 18 cidades que lideram o ranking nacional de aquecimento. Combinando depoimentos de moradores que vivenciam a intensificação dos períodos secos, dados climatológicos apresentados por cientistas do IPCC e CEMADEN, e registros históricos da transformação da paisagem, o episódio constrói um diagnóstico alarmante e visceral da crise.
A Ópera Yékit é introduzida como resposta cultural à "obscena escuridão" do colapso, apresentando personagens que retornarão ao longo da série. As comunidades tradicionais compartilham histórias sobre como o conhecimento ancestral já previa estas mudanças, revelando como os sinais da natureza (comportamento dos animais, floração antecipada) anunciavam há anos o que os dados científicos agora confirmam.
ECÓTONO DA BRASILIDADE: A Biodiversidade Ameaçada
Um mergulho sensorial na extraordinária biodiversidade do Vale, onde Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica se encontram, criando um ecótono único e frágil. O episódio documenta espécies endêmicas ameaçadas pela desertificação e mineração, com foco especial no colapso hídrico dos rios Jequitinhonha, Araçuaí, Piauí, Pardo e Ribeirão São Pedro.
Através do olhar comunitário, raizeiros, mateiros e comunidades ribeirinhas, exploramos os conhecimentos tradicionais sobre plantas medicinais, técnicas de conservação da água e métodos de cultivo adaptados ao clima semiárido. A Ópera Yékit entrelaça-se ao episódio e corporifica a dor do território.
O VALE DO LÍTIO: A Nova Febre e o Velho Fantasma
O episódio contrasta a narrativa sedutora da "transição energética limpa" com os brutais impactos socioambientais. Dados de empresas como Sigma Lithium são analisados criticamente, enquanto comunidades expõem a realidade cotidiana de ter o lítio como vizinho indesejado. A Ópera Yékit personifica essa ambivalência através da figura da "Lítio-Deidade Fóssil", um personagem mineral ambíguo, ser ancestral e tecnológico que representa tanto potência quanto perigo.
Exploração Mineral
Uma investigação aprofundada sobre os projetos de mineração de lítio que transformam o Vale do Jequitinhonha em "Vale do Lítio".
Impactos Socioambientais
Consumo excessivo de água em plena seca (2 milhões de litros por tonelada de lítio), contaminação química, rachaduras em casas causadas por explosões e expropriação territorial.
Ciclos Coloniais
O episódio traça paralelos históricos com os ciclos anteriores de exploração colonial (ouro, diamantes, ferro) que moldaram o território.
UMA ZONA DE SACRIFÍCIO: Quando o Racismo Ambiental é Estrutural e o Colapso Previsível
O episódio mapeia a geografia da injustiça ambiental no Vale, evidenciando como a exploração mineral e os efeitos climáticos (calor extremo, poluição, escassez hídrica) impactam desproporcionalmente comunidades negras, quilombolas e indígenas. Através de relatos impactantes e dados socioeconômicos, documenta-se como territórios de maioria negra e indígena são sistematicamente escolhidos para atividades extrativistas de alto impacto. O episódio acompanha a luta pela demarcação de terras quilombolas e territorios indígenas, expondo a violência estatal sutil e explícita. A Ópera Yékit entra em cena com sua discussão das "parditudes" no continente das negritudes brasileiras – na classificação racial imposta, o "não-lugar" mestiço – conectando-a à mesma lógica de sacrifício territorial. Lideranças do movimento negro, indígena e quilombola oferecem análises estruturais sobre como o racismo organiza o espaço e distribui desigualmente os impactos ambientais.
TRANSIÇÃO PARA QUEM? O Futuro Pintado de Verde, Greenwashihg e Genocídio
ma análise crítica do discurso de sustentabilidade das mineradoras e do Estado. O episódio investiga onde estão os benefícios prometidos das operações de lítio e como a chamada "economia verde" pode perpetuar o neocolonialismo. Através de entrevistas com moradores, análise de relatórios corporativos e dados de órgãos públicos, o episódio fornece ferramentas para identificar e combater o greenwashing.
Comunidades compartilham experiências de resistência que questionam o modelo imposto, como o monitoramento comunitário da qualidade da água e do ar. A Ópera Yékit apresenta sua personagem "Mentira Verdejante", representação satírica da falsa sustentabilidade. O episódio culmina com depoimentos de trabalhadores das próprias mineradoras, revelando contradições internas e condições precárias, questionando para quem de fato serve esta transição energética.
JUSTIÇA CLIMÁTICA: Os Diálogos da Encruzilhada
Diálogo de Saberes
Cientistas (climatologistas, geólogos, biólogos, antropólogos) dialogam com mestres de saber do Vale (raizeiros, parteiras, agricultores tradicionais, artesãos) em encontros inéditos que quebram a hierarquia colonial do conhecimento.
Soluções Colaborativas
O episódio documenta experimentos colaborativos onde academia e comunidade desenvolvem soluções conjuntas para a crise climática, como sistemas agroflorestais, técnicas de captação de água de chuva e monitoramento participativo da biodiversidade.
Soberania e Bem Viver
O episódio aborda a disputa pelo futuro do Vale e do lítio, questionando: o mineral é um bem comum? Como garantir que as decisões sobre energia, desenvolvimento e território tenham protagonismo comunitário?
Alternativas Concretas
O episódio documenta experiências concretas de alternativas: gestão popular da água, energia solar comunitária, agroecologia e economia solidária.
A Ópera Yékit é apresentada como "saber encarnado", tecnologia ancestral de cura, comunicação e resistência que integra corpo, ritual e política. O episódio explora como práticas consideradas "supersticiosas" revelam-se sistemas sofisticados de adaptação climática, e como unir os diferentes saberes pode gerar respostas mais eficazes aos desafios contemporâneos. A Ópera Yékit, com sua estrutura circular e participativa, inspira reflexões sobre democracia radical e soberania territorial. O episódio aprofunda discussões sobre como descolonizar o futuro energético, dando voz a propostas que integram justiça social, racial e ambiental.
YÉKIT-OYKOS: A Travessia do Tempo Entrelaçado
O episódio final mergulha na filosofia Yékit do tempo espiralado, onde passado, presente e futuro coexistem e dialogam. Através de histórias pessoais e comunitárias, exploramos a ruptura com o "humano" colonial e a afirmação de uma identidade mestiça e resiliente ("Não somos humanos, somos yékits!").
O Vale emerge como campo simbólico e concreto onde a travessia para um futuro pós-extrativista e regenerativo pode – e deve – começar. O episódio reúne perspectivas de jovens, anciãos, artistas e ativistas sobre como imaginar e construir futuros possíveis a partir das margens.
A Ópera Yékit culmina com seu mantra "Sejamos o fogo que não destrói, mas alumia", simbolizando a capacidade de transformar dor em potência e ruína em renascimento.
O episódio conclui com uma assembleia intergeracional que projeta o Vale do Jequitinhonha em 2050, reimaginando sua relação com o mundo e com o tempo.
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